10 de outubro de 2019 | Dia Mundial da Saúde Mental

10 de outubro de 2019 | Dia Mundial da Saúde Mental

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, em todo o mundo, cerca de 20% das crianças e adolescentes sofrem de problemas comportamentais, desenvolvimentais ou emocionais, sendo que 1 em cada 8 apresenta uma perturbação mental. Segundo a Academia Americana de Psiquiatria da Infância e da Adolescência e a OMS-Região Europeia, uma em cada cinco crianças apresenta evidência de problemas de saúde mental. Em Portugal, sabemos que entre os 5 e os 14 anos, o maior peso da doença na qualidade de vida se deve às perturbações mentais e comportamentais (22% do total de DALY associados às doenças não transmissíveis).

Os resultados mais recentes do estudo sobre adolescência da Organização Mundial de Saúde, Health Behaviour in School-aged Children, envolvendo 6000 adolescentes portugueses, revelam um preocupante decréscimo global da saúde mental e física dos adolescentes comparativamente com anos anteriores. Portugal surge com a 33.ª pior posição: só 11% dos rapazes e 14% das raparigas de 15 anos dizem que gostam bastante da escola.  Existem também sintomas que revelavam mal-estar psicológico, tristeza, stresse e insatisfação

Para além das crianças com um diagnóstico de perturbação mental, existem muitas outras crianças que evidenciam problemas de comportamento embora estejam abaixo dos limites do diagnóstico clínico, mas que apresentam igualmente maior probabilidade de sofrer dificuldades persistentes ao nível da saúde mental, baixo desempenho escolar, salários baixos, gravidez precoce, problemas relacionais, assim como maior probabilidade de se envolverem em comportamentos delinquentes e atividades criminosas no futuro.

As perturbações mentais na infância podem ter níveis elevados de persistência: 25% das crianças com uma perturbação emocional diagnosticável e 43% com uma perturbação do comportamento diagnosticável continuam a apresentar a perturbação ao fim de três anos; os jovens que experienciam ansiedade na infância têm 3,5 vezes mais probabilidade de sofrer de depressão ou perturbações da ansiedade na idade adulta.

Os problemas de saúde mental na infância e na adolescência constituem ainda um dos principais preditores dos problemas de saúde mental na idade adulta: cerca de metade das doenças mentais tiveram início antes dos 14 anos de idade. A maior parte das doenças mentais manifestam-se geralmente antes dos 24 anos de idade. Newman et al. concluíram que 73,8% dos jovens com 21 anos de idade e uma perturbação mental tinham uma história de doença mental no seu desenvolvimento. Offord et al. demonstraram que 61,3% das crianças entre os 8 e os 12 anos com um diagnóstico de perturbação do comportamento tinham tido pelo menos uma de três doenças mentais nos quatro anos anteriores.

Sabemos que a falta de saúde mental pode aumentar o risco de delinquência, problemas com a justiça, perturbações de abuso de substâncias e gravidez adolescente. Os problemas de saúde mental podem ter efeitos muito prejudiciais no desenvolvimento social, intelectual e emocional das crianças e jovens e, consequentemente, no seu futuro. Em última instância, podem levar à perda de vida. O suicídio é uma das principais causas de morte nos jovens e uma preocupação de saúde pública em muitos países europeus.

Para além destas problemáticas, a prevalência das doenças mentais entre os jovens é preocupante dado o seu potencial impacto no desempenho escolar. Por exemplo, os jovens com perturbação mental estão em risco de apresentarem problemas disciplinares, absentismo, retenção escolar, más notas, abandono escolar e/ou delinquência.

A Psicóloga do SPO: Vanessa Alexandra Pinto Brás

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